Crianças e adolescentes de hoje crescem com boa parte das conversas, amizades e conflitos acontecendo pela tela. Isso abre possibilidades, mas também muda a forma como alguém é aceito ou deixado de fora.
Às vezes basta gostar de algo diferente, ter uma ideia própria ou se expressar de um jeito que os outros não esperavam. Aquilo vira piada no grupo, comentário em uma foto ou motivo para excluir alguém da conversa. A exclusão sempre existiu. Agora ela pode continuar nas mensagens mesmo depois que a criança chega em casa.
Pensei nisso assistindo a Toy Story 5. O tablet da Bonnie a aproxima de outras crianças, mas também mostra como a vontade de pertencer pode fazê-la questionar aquilo de que gosta. O filme é um exemplo de uma situação que vai muito além dos brinquedos.
Também me pergunto quanto tempo sobra para aprender a conviver pessoalmente: puxar conversa, discordar, ouvir uma resposta difícil, resolver um mal entendido. Usar tecnologia não impede ninguém de desenvolver essas habilidades. Mas, quando ela ocupa quase todo o tempo livre, vale olhar para as experiências que vão ficando de fora.
Como mãe e estudante de Psicologia, quero prestar atenção não só às horas de tela. Quero saber o que as crianças e os adolescentes fazem ali, como são tratados e com quem conseguem conversar quando algo dá errado. Colocar limites importa. Acompanhar o que acontece dentro desses espaços também.
Não dá para chamar uma geração inteira de antissocial. Dá para perguntar se estamos oferecendo a ela oportunidades de construir relações dentro e fora da internet, sem que alguém precise se calar ou esconder o que gosta para pertencer.
Como você percebe isso nas crianças e adolescentes à sua volta?



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