Pode parecer duro falar assim, mas é verdade. Alguém vai ocupar a sua cadeira, assumir suas demandas, participar das reuniões, entrar nos grupos e, com o tempo, aprender aquilo que você fazia todos os dias. O trabalho continua. E acho que, às vezes, a gente esquece disso. A gente se preocupa tanto em entregar, produzir, bater meta, não decepcionar ninguém e mostrar que é competente, que acaba colocando muita energia em um lugar onde, inevitavelmente, outra pessoa pode ocupar o nosso espaço. Mas existem lugares em que isso não acontece. Você não será substituída na mesa de jantar com a sua família. No café com as suas amigas, naquela conversa que começa com um assunto qualquer e termina horas depois. No projeto que nasceu de uma ideia sua e que carrega um pouco de quem você é. No encontro com o amor da sua vida. Na formatura de alguém especial que procura você no meio da plateia. Na vida do seu filho, que está na escola esperando justamente você chegar. Nem para o seu cachorro, que reconhece seus passos, sua voz e sabe exatamente quem você é antes mesmo de você abrir a porta. Existem funções que outras pessoas podem exercer. Existem cargos que podem ser preenchidos novamente. Mas existem vínculos que não funcionam assim. A vida tem fases. Alguns empregos vão fazer parte de uma delas. Outros talvez durem muitos anos. Pessoas chegam, pessoas vão embora, planos mudam e aquilo que parecia tão importante em determinada época pode deixar de fazer sentido depois. Trabalhar é importante. Construir uma carreira também é. Mas isso não pode custar todos os outros lugares da nossa vida. Porque, no fim, talvez sucesso também seja saber reconhecer onde a nossa presença realmente importa. Você pode ser substituída em uma função. Mas nunca será substituída na vida das pessoas que amam você. Em quais lugares da sua vida a sua presença realmente importa?